Ideologia de gênero na escola, e que se dane a lei!

BEATRIZ MORRONE (TEXTO) E MARCELO MOURA (EDIÇÃO)
Para Miguel Nagib, advogado e fundador do Escola Sem Partido, o programa apenas reafirma princípios constitucionais
Em meio a polêmicas, Projetos de Lei inspirados no programa Escola Sem Partido tramitam no Congresso Nacional. Seu objetivo é estabelecer uma nova regulamentação para a atividade profissional de professores, proibindo o que chama de doutrinação nas escolas do Brasil. Uma das propostas, que em meados de julho entrou em consulta pública no site do Senado Federal, já recebeu mais de 360 mil votos: cerca de 180 mil contra e 170 mil a favor.
“Professores abusam da presença obrigatória dos alunos em sala de aula para promover suas próprias preferências políticas, ideológicas e partidárias”, afirma Miguel Nagib, advogado e fundador do Escola Sem Partido. “Em sala de aula, professores têm liberdade de ensinar, mas não têm liberdade de expressão.”
Minha trajetória é atípica, por isso devo mencioná-la para evitar certos lugares-comuns na interpretação da caracterização que farei do problema, que é o da instrumentalização de escola e universidade para finalidades políticas. Tal qual muitos outros adolescentes de minha geração, pertenci a um senso comum que se pode classificar como marxista. Bom, era ao menos marxista o suficiente para eu ter presenteado uma namorada na época com um exemplar de bolso do Manifesto do Partido Comunista e para que em minhas primeiras participações como eleitor, tenha votado em figuraças da esquerda carioca como Jandira, Carlos Minc, Chico Alencar, etc. Mas depois como aluno de Ciências Sociais, as aulas do primeiro semestre já me frustraram por permitirem a constatação de falhas na teoria de Marx. Assim foi semestre após semestre do curso, primeiro na UERJ e em seguida na Unicamp. Decisiva, contudo, foram as leituras d’A Ideologia Alemã que me incomodaram pelo modo como se remete a filosofia, a religião, a arte, a cultura em seu conjunto a uma base econômica que estabelece a luta de classes numa sociedade.