Uma tragédia na UFF

EscolasemPartido.org selecionou algumas das mensagens mais “extrovertidas” e significativas, postadas no grupo de discussão do Centro Acadêmico do curso de História da UFF, por ocasião da denúncia feita pelo estudante Felipe Spaluto Paúl. Leia e veja como a atuação intimidatória de certos alunos contribui decisivamente para garantir o sucesso do empreendimento político-ideológico de seus mestres militantes. Observe, também, a defesa neurótica e melancólica que outros estudantes se vêem constrangidos a fazer do sistema que os aprisiona intelectualmente, para não ter de reconhecer em público que foram e continuam a ser manipulados e ludibriados por seus engajados professores.

O texto que destacamos a seguir, escrito pelo estudante Maycon Santos, é uma amostra fidedigna do ideal de liberdade e pluralismo defendido pelos seguidores mais exaltados da ideologia que tiraniza a universidade brasileira:

Olá pessoal da lista, é a primeira vez que escrevo aqui devido a absoluta falta de tempo e não de atenção. Sou aluno da pós-graduação de história e não pude deixar de intervir no debate a respeito do denuncista reacionário seguidor do Olavo de Carvalho.

Há alguns anos venho lendo os artigos que Olavo de Carvalho lança na mídia, e ficou muito claro desde o início que o objetivo deste escritor não é realizar a análise mais objetiva do mundo social e nem dar as explicações mais convincentes e sim construir o discurso mais mobilizador para os elementos mais histéricos e reacionários da burguesia e da pequena burguesia no momento em que se tornar novamente necessário, diante de ascensos da luta de massas, botar as marchadeiras nas ruas.

Realmente acho que tinha razão e não só isto, a vanguarda das marchadeiras (termo usado para definir os aderentes da marcha da Familia com deus ...), já começou a se mobilizar, e não somente aqui na UFF.

Estas marchadeiras de vanguarda se compõem geralmente de uma juventude burguesa que ao invés de manifestar o seu ódio anti-popular queimando índios e mendigos (se é que não o fazem) conferem a ele um revestimento de sofisticação intelectual, buscando tornar-se astutos polemistas nos âmbitos universitários, tão astutos e asquerosos como seu mentor intelectual. Esta vanguarda da reação tem uma posição corajosa pois penetra no interior de ambientes, em tese hegemonizados pelo pensamento progressista e de esquerda, como as universidades e lança poderosas investidas contra o socialismo, o pensamento crítico e os movimentos populares, e ao final constatam que a hegemonia esquerdista não é tão firme assim, colhendo algumas adesões e muitas hesitações frente a seu discurso reacionário.

Afirmo que é necessário atentar para o fato de que esta vanguarda reacionária não está isolada dentro das universidades, cresce diariamente entre os estudantes, o número daqueles que aparentemente indiferentes às questões políticas são uma eficiente massa de manobra para os articuladores da direita, como os pitboys da UERJ que agem como tropa de choque reacionária contra o movimento de servidores e estudantes já havendo invadido assembléias e atacado piquetes.

Não é momento para brincadeiras, e este tipo de escória deve ter seus passos limitados e suas pretensões políticas cortadas no nascedouro. Não é possível a menor tolerância ou hesitação frente a vermes como este sr. Felipe baseada na argumentação do "direito às diferenças". A vanguarda marchadeira cresce exatamente na omissão daqueles realmente comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A fusão desta vanguarda de extrema-direita com os grupos de pitboys disposto a uma farra nem que seja atacando os estudantes e trabalhadores organizados é uma perigosa perspectiva e devemos agir antes que seja tarde demais.

Como se dizia na Espanha anti-fascista da década de 30:

No Passarán!

Comentário do EscolasemPartido.org - Essa mensagem recebeu um "Todo apoio ao companheiro" da parte da iniciadora da discussão, Martha Myrrha, e nenhuma censura direta dos demais participantes do grupo, entre os quais havia pelo menos dois professores.

Eis o ponto a que chegamos.

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Olá galera!

Estou encaminhando a todos e todas companheiro(a)s o maior dos absurdos q já presenciei neste meus 4 anos de curso de historia.

Provavelmente poucos estam sabendo , mas fato eh q a professora Sonia Rebel recebeu 2 cartas de ameaça de um site chamado escola sem partido no intuito de cercea-la politicamente. O site aceita "denuncias" contra professores que manisfestam suas indignações com a politica vigente. O endereço do site eh www.escolasempartido.org  e lá vcs poderão ler atrocidades contra o pessoal do SOMA e tudo mais.

O "denuncista" que prefiro denominar de facista se chama Felipe Svaluto e deve estar no 2 ou 3 periodo da historia da uff e inclusive tem um blog sob o titulo de Warfare State- o novo bunker, o endereço eh http://www.warfarestate.blogspot.com

O rapazinho não se identificou no site do escola sem partido , mas deixou o link para seu blog onde podemos ler deslegitimações e apologias claras ao autoritarismo e a limitações da liberdade de expressão a tanto custo conquistada.

Bem, serei breve e encaminho abaixo o q ele "denunciou" estar acontecendo durante as aulas de historia antiga de nossa professora.

Estes caras precisam ser processados!!!! (Mensagem enviada por Martha Myrrha, aluna, em 24/09/2004 - 13:26:14)

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Comentário do EscolasemPartido.org - Com esta mensagem, intitulada "Soninha Rebel ameaçada por fascistas!!!", a "recadista/mosca de padaria", como ela mesma se define mais adiante, soprou o berrante para reunir a militância e iniciar o linchamento moral do autor da denúncia e do site.

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Olá galera,

Também acho que deveriamos mandar uma carta de apóio à professora Sônia, é importante deixarmos claro que isto está longe e ser a opinião da maioria do curso. Aliás, acho que deveriamos tomar alguma providência quanto a atuação coercitiva desta agência(babaca-fascista). Fico assustado de ver o quanto a despolitização promovida pela lógica neoliberal caminha a passos largos!

Onde este mundo vai parar!?! (Mensagem enviada por Renato Avellar de Albuquerque, aluno, em 24/09/2004 - 17:58:29)

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Comentário do EscolasemPartido.org - Começam a chegar os pedaços do ser coletivo que tomará conta dos debates, com poucas e honradas exceções. O coletivo se apresenta ("carta de apoio", "deixarmos claro", "opinião a maioria", "deveríamos tomar alguma providência") e mete o primeiro carimbo no site: agência babaca-fascista.

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Aline, me perdoe,

mas não há justificativa para tamanha truculencia! Se vc não estava feliz com o andamento do curso de soninha q falasse como eu sei q fala, tenho certeza que ela estava como sempre esteve aberta a criticas. Reclamar depois eh mt facil minha querida. Seu comentario além de esteril é mt covarde a partir do momento q parece ter o intuito, ou acabou servindo desta forma, de justificar uma atitude facista e cerceadora de qq tipo de manisfestação.

Eu gostaria de saber inclusive pq ninguem se manisfestou tb quando o professor ronald raminelli expusou uma professora de não sei q curso aos chutes de carteiras em plena sala de aula. Eu entendo q a mesma professora já havia repetido o atraso algumas outras vezes mas dai justificar agressoes seja la de q tipo for é bastante complicado.

Creio q a historia já nos deu mts lições do q a falta de respeito as diferenças pode nos levar e o caso desse tal de felipe não eh diferente. Se vc ou qq outra  pessoa pretender mudar o mundo ou sei lá o q inicie este processo nos menores meios, inclusive dentro de casa. Conversar não faz mal a ninguem! Dialogo gente pelo amor de Deus!!

Acabamos de sofrer com a truculencia do representante do mec dentro de nossa instituição e sofremos violações diarias o suficiente para notar a insustentabilidade de qualquer proliferação de discriminações, autoritarismos e preconceitos.

Se vc quiser reclamar reclame com dignidade e mt cuidado para suas criticas não se aproximarem da deste rapaz. Felizmente te conheço o suficiente para me sentir aliviada....

Uma beijo e um abraço carinhoso,

Martha Myrrha. (Mensagem enviada em 24/09/2004 - 17:33:15)

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Comentário do EscolasemPartido.org - A pobre da garota -- que havia entrado corajosamente na sala virtual onde se iniciava o justiçamento do Felipe, para depor como testemunha presencial e dizer que "a professora Sonia Rebel não é tão profisional e responsável como foi mencionado"; que "ela não deu um bom curso para a gente se História Antiga e isso foi praticamente consenso"; que "ela não cumpriu o programa e o q ela deu foi mal dado"; que apesar de ela, aluna, gostar da Profª Sônia como pessoa, "ela realmente foi mt fraca como professora", já que "passou mt mais tempo falando da vida dela (tipo: filhas, marido, Nova Friburgo, médicos, PT, Brizola, MST...........) do q da matéria. Ela nem chegou a dar Roma e deu Grécia muito mal" -- acabou acusada de haver feito um comentário "estéril e muito covarde" que serviu para "justificar uma atitude fascista e cerceadora de qualquer tipo de manifestação".

Psiquiatras, psicólogos, sacerdotes, exorcistas e demais estudiosos da mente e da alma humana, por favor, me ajudem a entender: Como pode alguém ser tão inconsciente dos seus atos? Essa Martha Myrrha não percebe que está fazendo exatamente aquilo que condena?

Não podemos deixar de chamar a atenção do leitor para o tom mafioso da ameaça contida na passagem sublinhada. Esse parágrafo diz tudo.

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Fala Pedro,

Olha, acho que a discussão não está girando no eixo correto. É certo que a maioria de nós não estava na sala pra saber, mas acho que todos aqui, ou quase todos, já passaram por professores que não gostaram. O problema é que, como diz o velho ditado, “roupa suja se lava em casa”. A Soninha é uma pessoa muito legal – como a própria Aline reconheceu – e duvido que ela não estivesse aberta a ouvir qualquer tipo de crítica. Mesmo que não tivesse, como é o caso de outros professores, esses problemas devem ser resolvidos dentro do departamento e não utilizando meios como aquele site ridículo. Aliás, essa é uma das funções da representação estudantil: dialogar com o departamento sobre qualquer assunto que nos afete. O problema é que o cara que fez a acusação não teve coragem suficiente pra falar com a professora, nem com a representação e nem com a coordenadoria do departamento.

E outra coisa... Pode começar a se acostumar, porque ainda vão aparecer professores bem piores pela frente de vocês. Então é melhor a pessoa encontrar jeitos mais dignos de resolver esse tipo de problema.

Saudações

Fábio Frizzo (Mensagem enviada em 24/09/2004 - 20:13:45)

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Comentário do EscolasemPartido.org - Não há indignidade nenhuma. O que está por trás dessa crítica é outra coisa. Isso aconteceu comigo no Caso Sigma: não tendo o que dizer contra o conteúdo da denúncia, as vítimas afetadas pela Síndrome de Estocolmo e os colegas do professor denunciado, em desespero de causa, se voltam contra a publicidade que lhe é dada. Essa publicidade permite a visualização, por quem está do lado de fora, do que acontece dentro da sala de aula, expondo os professores a críticas -- o que a imensa maioria, quase sempre por despreparo e insegurança, não tolera -- e despertando o sentimento de solidariedade dos alunos. Se ficasse tudo escondido, na sombra, não haveria problema. Estamos convencidos, no entanto, do poder desinfetante da luz do sol.


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Prezado Pedro,

Temos feito de tudo e mais um pouco para que os alunos participem da melhor forma possivel da gestão de nosso curso, inclusive durante a semana de inscrição vc deve ter notado que fizemos a avaliação dos professores para podermos civilizadamente apontar possiveis falhas e descompromissos. Muita gente deu importancia a isso e entendeu a legitimidade de um processo como este, q inclusive espero que tenha participado. Porém, é bom q fique claro q uma coisa eh uma coisa e outra coisa eh outra coisa. Se a soninha foi feliz ou não em seu curso isso pode ser de alguma forma contornado, afinal de contas estamos falando de uma profissional de enorme respeito tanto pessoal qto academico, se ela deslizou não será dificil sabermos o porque, entretanto, o rapazinho "denuncista" recorreu a meios que ferem os direitos constitucionais deste pais! Q fere não somente a Sonia mas a qualquer aspirante a cidadão!!! Estamos falando de respeito! estamos falando de cousas tão basicas q talvez a s ociedade nem entenda mais o significado delas! Eu sou professora e todos aqui tb serão eh basta parar pra pensar um pouquinho sobre isto...

Vou repertir mais uma vez e vcs me desculpem eh q realmente estou chocada com isso.

O rapazinho recorreu a um orgão repressor e sabia mt bem q haveria retaliações a professora. é um facista sim e repito na cara dele se precisar e faria isso com mt gosto. Ele deve ser processado antes q esta cobra q se crie! Ele deve ter noção q ele não tem o direito de fazer o q quer a hora q bem entender. Se ele resolveu fazer historia vai ter q aturar os marxistas , anarquistas, maoistas e a pouta q te pariu e se não gostar q pague olavo de carvalho pra dar aula particular pra ele.

Merece processo nas costas sim, já q se mostra tão auto suficiente em suas criticas venenosas disseminas no mundo virtual...Estranho ele nunca ter se manisfestado no mundo real...

Vamos conversar semna q vem...estou a disposição de manha as 2, 3 , 4 e 5.

beijos e abraços,

Martha.

Mensagem enviada por Martha Myrrha, em 24/09/2004 - 21:58:19

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Acredito que a questão aqui não é afirmar se a Sonia Rebel é boa ou má professora. Eu mesmo tive aula com ela no primeiro período e achei apenas razoável. A gente praticamente não teve Roma, só Modo de Produção Asiático e Grécia. Pelo menos em Roma o Ribas compensou com alguma coisa.

A questão é puramente ideológica. Aliás, não chega a sequer ser ideológica, visto que temos colegas nesta lista como o Daniel Aarão, que diverge conosco em vários pontos, mas sempre mantém o debate aberto (apesar de não comparecer ao Seminário, mas isso é outra história...) para novas idéias. Essa história de "ah, ela fala mais da vida dela do que outras coisas..." deveria ter sido discutida diretamente com ela, são métodos de dar aula que devem ser questionados e debatidos. E acho que não é isso que está em discussão aqui.

O que está em discussão, aqui, é uma posição de extrema intolerância por parte deste aluno. Ele afirma que a professora fica "Difamando ou ridicularizando personagens da vida pública e figuras religiosas / Incitando alunos a participar de atividades políticas como passeatas e manifestações". Pelo amor de Deus, cada professor tem o direito de expor o que ele quiser. A gente se volta àquela história de que "historiador não tem de ter espírito de partido", que o estudo da história deve ser "objetivo", e a gente sabe que isso não é possível, até porque o ser humano, obviamente, não pensa objetivamente.

O que o nosso colega esqueceu é que, ao expor esta opinião, ele também mostra sua ideologia, autoritária e anti-esquerdista (não vou dizer que é de direita para não cair na dicotomia), no estilo de pessoas como o "auto - didata" Olavo de Carvalho, que afirma que "as eleições não serão limpas enquanto a esquerda não parar de agir por debaixo do pano" e afirma que o Foro de São Paulo é uma conspiração esquerdista que procura dominar toda a América Latina, formada por "terroristas, narcotraficantes e seqüestradores - o pessoal das Farc, do MIR chileno, do MRTA" (tá na coluna dele de hoje no O GLOBO). Aliás, coincidentemente, na mesma coluna ele critica o parecer da UnB, que disse "não" à lei de reserva de vagas nas universidades públicas para militares ou de seus dependentes originários de instituição particular nos casos de transferência compulsória de uma cidade para outra e cancelou o vestibular de Direito.  Afirma que a universidade brasileira é "inimiga inconciliável dos militares e colaboradora do establishment globalista na destruição das nossas Forças Armadas" (...)"uma instituição ridícula, cuja contribuição ao progresso do conhecimento é torrar dinheiro público para imbecilizar as novas gerações por meio de uma propaganda política abaixo da ginasiana" e se alegra por ter estudado "bem longe deste templo da estupidez humana".

Enfim, essa mensagem ficou meio longa. Foi mal aí. A gente deve repudiar esses atos de intolerância e apoiar a Sônia nesse ponto. Agora, não é o caso de sair linchando o cara, vamos responder à intolerância com o simples respeito. Aliás, alguém poderia convidar esse estudante a se juntar à lista, para que ele exponha suas idéias e debata. A não ser que ele não queira debater...

Bernardo

temposperigosos.blig.ig.com.br

Mensagem enviada por Bernardo Galheiro, aluno, em 25/09/2004 14:08:57

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Olá a tod@s,

Não posso deixar de dar a minha contribuição a esse debate. Em relação ao site escola sem partido, trata-se de fato de uma organização de extrema direita e que só dá direito de resposta, como alguns alegaram aqui, para evitar processos legais, como eles mesmos dizem. Não tem nada a ver com democracia. Um amigo meu, autor de livros didáticos, Mário Schmitt, sofreu duramente com as denúncias deles, que foram para os jornais, implantaram matéria em O Globo, ficaram ligando para casa dele, fizeram abaixo-assinado para o MEC retirar o seu livro da lista de recomendados. Foi um verdadeiro inferno e ele teve de pedir a professores e pesquisadores de História que escrevessem cartas atestando a qualidade de seus livros, numa situação extremamente humilhante. As cartas que Soninha recebeu têm conteúdo intimidatório e pedem que ela se explique, numa clara ingerência sobre a liberdade de expressão e autonomia do professor, o que não tem nada a ver com avaliação. No mesmo site há uma parte intitulada "flagrando o doutrinador", que utiliza uma linguagem policialesca para ensinar aos pais como identificar o professor-doutrinador. Portanto, trata-se realmente de algo extremamente grave.

Nesse caso, a meu ver também não se aplica o argumento de que o aluno estaria utilizando o seu direito à liberdade de expressão. Aliás, seria bom lembrar que hoje os movimentos neonazistas no Brasil reivindicam a liberdade de expressão para criticar as leis que impedem o uso de suásticas ou de divulgar idéias racistas. Liberdade de expressão não é o mesmo que proclamar qualquer coisa em público, incluindo preconceitos, idéias discriminatórias ou ofensivas. Além do mais, por quê o aluno não utilizou o seu direito de exigir o cumprimento do programa através dos meios disponíveis na universidade? Por quê não utilizou aqui o seu direito à liberdade de expressão (que, diga-se de passagem, em raros espaços na sociedade brasileira pode ser exercido com tamanha plenitude quanto na universidade pública)? Me parece que duas coisas se combinam aqui: perseguição ideológica de tipo fascistóide e uma imensa covardia.

Li com atenção as mensagens do blog do denuncista e me eximo de comentar as suas posições políticas, expressas no apoio irrestrito à invasão dos EUA no Iraque, ao apoio aos militares "contra-revolucionários" (termo do aluno) de 64 etc. Isso diz respeito às suas posições políticas. Coisa diferente é o conteúdo discriminatório em relação aos professores e alunos que discordam de tais posições.A mensagem abaixo, retirada do blog do denunciador(warfarestate.blogspot.com) de professores, demonstra graves preconceitos e desrespeito com Sônia ao denominá-la "ïdosa marxista". Demonstra tb a perversidade da tática de puxar assunto amigavelmente para depois usar o que a pessoa disse para denunciá-la. Grifei os trechos que se referem a isso em vermelho:

"VITÓRIA

Vencemos, senhores. A duas quartas avançava o relógio para além das dez, matinais, e nós vencemos. Digam que não sentiram algo diferente nesse momento: pensem bem se não foram acometidos por algo além do habitual ardor juvenil enquanto açoitavam operários ébrios; lembrem os mais aristocratas se não estranharam o cinza londrino que durante cinco minutos jogou para longe as febres tropicais naquela manhã. Lembraram? Pois é, e isso foi apenas um vislumbre da cena edênica- rumores dão conta que até mesmo Molusco foi ilustre vítima, tendo passado cinco minutos a manter concordância de gênero e, pasmem, número. E tudo isso irradiado a partir de um centro, mais acostumado a reproduzir sandices que irradiar belezas: Universidade Federal Fluminense, UFF, campus do Gragoatá- e eu fui ator desse drama ímpar, épico até, embora ninguém tenha se dado conta disso.
Para explicar aos senhores os fatos é preciso voltar mais uma Quarta, mais ou menos no mesmo horário. Aula de História Antiga- sim, sim: a idosa marxista. Já chega a senhora acompanhada dos recadistas- espécie ímpar, sobrevivem apenas em universidades, alimentando-se do silêncio dos outros. São office-boys ideológicos, sendo sucinto. Os moços falam sobre o Ato pela Moradia, naquele momento já afamado dados os inúmeros folhetos que recebemos a respeito nos dias anteriores. O Ato é importantíssimo, alunos precisam de moradia, a luta é antiga e tudo mais. Convidam-nos a compor a massa protestante e alguns tantos aceitam, levantando-se heróicos de suas carteiras. Ação legítima e não necessariamente burra. Mas eis que ocorre o inusitado, como naqueles momentos que precedem as aparições de Rod Serling em Twilight Zone: muitos ficam em sala. Estupefação no rosto dos recadistas, saem algo chateados; uma certa felicidade minha, contida, própria. Mas é sabido que felicidade de liberal dura pouco- ao contrário de felicidades populares, que duram todo um carnaval ou enquanto o juiz não expedir a reintegração de posse da terra invadida. Os recadistas, após zanzarem no corredor como moscas de padaria, voltam a sala. Alguma revolta é sentida: lamentam termos ficado em sala, fazem novo pequeno discurso; somos acusados de egoístas( oh!) e individualistas(oh!oh!). Alguns poucos cedem e vão, mas muitos ainda permanecem: faz-se então a anarquia. Recadistas falam com a professora, pretendem a “liberação da aula”, eufemismo para “o não haver aula”. Levanto-me e falo com ela também, sem efeito: a senhora está convencida a não dar faltas, saem os que quiserem. Para mim está ótimo, é medida liberal inclusive; mas é claro que os recadistas não concordam. É preciso “o não haver aula”, pois haveria aqueles que só ficaram temendo perder matéria. E aqueles que querem a aula, que não querem ir ao Ato? Essa pergunta só pode surgir na mente do leitor menos acostumado com o pensamento esquerdista: é simplesmente impossível a um recadista conceber que alguém pode não desejar participar do ato a partir de decisão individual derivada de processo inteligente de análise; todos que não querem ir ao famigerado o fazem por outra razão- no caso, não querem perder aula. Solução: acaba-se com a aula!- há certa lógica aí, a mesma lógica profunda de um governo comunista quando elimina dissidentes.
E foi o que conseguiram, ainda que por caminho diverso e originalíssimo: o recadista-mor do dia sugere a distinta mestra que ela dê aula naquela quarta e repita a mesma aula na sexta! A senhora provavelmente achou idéia genial e conciliadora, pois logo a adotou. Resultado óbvio: os alunos que queriam aula, imbuídos pelo típico imediatismo humano, saem da sala- não em direção ao Ato, mas a suas casas; mais vale chegar cedo na quarta que na sexta. Os recadistas parecem felizes, pois saem também, exultantes pela sapiência de seu membro-mor. Mas a distinta senhora é obrigada a largar sua bolsa, que no momento já era erguida da mesa com a calma dos antigos: alunos permaneceram em sala.
Que alunos? Eu e mais sete, se a memória não falha. De todos apenas eu tinha objeções a reivindicação residencial; os outros apenas queriam aula, esta função máxima da universidade para a qual a senhorinha é paga por todos os contribuintes do território brasileiro. E não tivemos: ela se pôs a conversar. Aproveitei para sondar o marxismo da mestra e ouvi algumas coisas interessantes, ilhas num mar de sandices várias, nas quais Cuba quase se transformou em exemplo de democracia e liberdade. 
Saímos e discutimos os eventos daquela Quarta-Feira Negra durante todo o caminho até as barcas- e mesmo na embarcação a conversa continuava, animada pela belíssima vista, uma paisagem que parece ser a corporificação mesma da liberdade.
***
 Felipe Svaluto Paúl (parabenizando a todos os colegas que, honrando a qualificação de estudantes, preferem a aula a qualquer outra coisa)"

Sem comentários para avaliar a covardia da tática de estimular o indivíduo a expor de maneira franca as suas idéias para depois denunciá-las. Isso me lembrou que, sob Hitler, a Alemanha nunca teve uma lei que obrigasse oficialmente a delação. No entanto, muito voluntários aproveitavam o clima de denuncismo para entregar, professores, colegas de turma, vizinhos etc. Muitas vezes pessoas muito próximas, que sequer percebiam tais ameaças. Por conta disso, Bertolt Bercht escreveu o seguinte poema:

A cruz de giz / Eu sou uma criada. Eu tive um romance /Com um homem que era da S.A. / Um dia, antes de ir /Ele me mostrou, sorrindo, como fazem / Para pegar os insatisfeitos. / Com um giz tirado do bolso do casaco /Ele fez uma pequena cruz na palma da mão. / Ele contou que assim, e vestido à paisana / Anda pelas repartições de trabalho / Onde os desempregados fazem fila e xingam / E xinga junto com eles, e fazendo isso / Em sinal de aprovação e solidariedade / Dá um tapinha nas costas do homem que xinga / E este, marcado com a cruz branca / É apanhado pela SA. Nós rimos com isso. / Andei com ele um ano, então descobri /Que ele havia retirado dinheiro / Da minha caderneta de poupança. / Havia dito que a guardaria para mim /Pois os tempos eram incertos. / Quando lhe tomei satisfações, ele jurou / Que suas intenções eram honestas. Dizendo isso / Pôs a mão em meu ombro para me acalmar. / Eu corri, aterrorizada. Em casa / Olhei minhas costas no espelho, para ver / Se não havia uma cruz branca.

Acho que com a atitude do rapaz, todos nós, e mais ainda Soninha, nos sentimos um pouco com essa cruz branca. Quando expomos idéias políticas e às vezes até um pouco de nossas vidas pessoais em sala de aula, pensamos muitas vezes estar dividindo angústias, idéias e tb nossa humanidade com uma comunidade de seres pensantes, autônomos, capazes de formular e expressar juízos críticos. Isso é parte das relações professor-aluno e também de um processo de aprendizado que é de mão dupla. Creio que Soninha, pessoa sensível, profissional séria e dedicada, jamais será  a mesma. E ela sequer sabe de todo o conteúdo das denúncias. Aliás, acho que ela deve estar ciente, mas isso deve ser feito com extrema delicadeza, pois ela já está muito abalada, como seria de se esperar.

Concordo com processos democráticos de avaliação, abertos, livres de constrangimentos (aliás, o cahis poderia divulgar os resultados da sua avaliação para que os professores tenham retorno). No entanto, creio que não é disso que se trata no caso dessa denúncia. Por isso, acho que realmente devemos fazer uma carta de desagravo e de solidariedade a Sônia, a ser assinada pelo conjunto do GHT, professores e estudantes. Isso não vai reparar o mal, que já está feito. Mas pelo menos pode servir para nos unir para não deixar a serpente sair do ovo.

Um abraço, triste e um pouco deprimido, mas com esperança de que prevalecerá entre nós a solidariedade,

Adriana.

Mensagem enviada pela Profª Adriana Facina, em 26/09/2004 - 01:03:24

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Profa. Adriana e Tarso, acho que pra mim vcs falaram tudo. Embora o e-mail da profa. esteja realmente meio longo, seus argumentos desbancam outros que foram ventilados por esta lista. Além disso, o Tarso tb coloca aspectos que ainda não tínhamos pensado, mas que são de grande valia. Pessoalmente, pra mim a discussão virtual acabou. Agora, é partir para a discussão e ação no "real", como diria, entre outros, Marx. Bom fim de semana, e já esperando o burburinho de segunda,

Rodolfo Caravana

Mensagem enviada por Rodolfo Caravana, aluno, em 26/09/2004 - 01:33:38

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Olá galera, depois da explosão de minha indignação, vamos por partes...

Recebi a noticia da existencia deste episodio atraves do Rafael (DS) e lembro q perguntei se era verdade mesmo ou se ele tava de zoeira, a resposta, obviamente, foi q não e disse q era do tal escola sem partido. Eu não tinha noção nem do q era isso, e, o assunto morreu ali mesmo no patio do bloco n. Mesmo depois do bate papo, eu não levei mt a serio a questao...mas ai o assunto voltou e ninguem sabia me dizer quem teria sido o autor. Resolvi procurar na intert algo sobre esse tal de escola sem partido e logo apareceu o site. Eu não sabia sequer q as denuncias eram feitas por internet e futucando aquilo tudo encontrei a denuncia do felipe (Fique claro que ele não assinou a denuncia, deixou somente o endereço de seu blog onde foi q encontrei seu nome. Fique claro tb q eu não sei nem quem é o Felipe). E sinceramente , achei meio doentio o cara ficar anotando aquilo q ele descreveu, são mts indignações para serem guardadas por 6 meses. Esse tipo de trava dá nisso aut oritarismos e covardias. Eu não consigo pensar na possibilidade desse menino estar aberto a dialogo, pois senao teria o feito durante as aulas ou ate mesmo num bate papo informal no corredor com a soninha, mas, enfim, cada um com suas deficiencias e eu tenho tenho as minhas...

Sobre o titulo do e-mail, eu o mantenho e sustento! Soninha Rebel ameaçada por facistas! Basta analisar o site "escola sem partido" para notar que eh fundado na intolerencia desmedida. Reparem no menu do lado esquerdo. Reparem nos termos utilizados "flagrando o doutrinador", "corpo de delito", "defenda seu filho", "sindrome de estolcomo". O tom de ameça esta dado, ou só se entende por ameaça qdo se trata de questao de vida e morte??

Se vcs clicarem na "sindrome de estolcomo" lerão dentr'outras cousas o que poderiamos chamar de "o mito fundador do site",

Vítima de um verdadeiro “sequestro intelectual”, o estudante doutrinado quase sempre desenvolve, em relação ao professor/doutrinador, uma intensa ligação afetiva. Como já se disse a propósito da Síndrome de Escocolmo “dependendo do grau de sua identificação com o sequestrador, a vítima pode negar que o sequestrador esteja errado, admitindo que os possíveis libertadores e sua insistência em punir o sequestrador são, na verdade, os responsáveis por sua situação”. De modo análogo, muitos estudantes não só se recusam a admitir que estão sendo política e ideologicamente manipulados por seus professores, como saem furiosos em sua defesa, quando alguém lhes demonstra o que está acontecendo.

PS: Interessante inclusive como nós estudantes somos bestializados por nossos "salvadores" (leiam, os mantenedores do site)!!!

Um outro click interessante é o "papel do governo", leiam, "...ao longo dos últimos 15 anos, os governos estaduais e federal, principalmente, não só não identificaram e não combateram o problema, como contribuíram decisivamente para a sua disseminação, ao promoverem, oficial ou extra-oficialmente, uma perspectiva pedagógica altamente politizada."

PS: Nunca imaginei estar tão proxima das propostas do MEC!! Achei o MEC um paraiso! Se Paulo Freire estivesse vivo certamente receberia tb uma carta denuncia do escola sem partido!

No link "livros didaticos", são enumerados livros q poderiam ser jogados na fogueira por seu conteudo ideologico.

Agora o Link q eu mais gosto! O "flagrando o doutrinador"! Aqui fica claro o porque d'eu manter o titulo deste email...fala-se em vítima e entender q há um criminoso não eh uma dificil tarefa ne? O professor é nitidamente criminalizado e é enumerado nesta perta "sintomas" de um professor doutrinador, por favor leiam para assim discutirmos.

Sobre o "corpo de delito"  resolvi consultar o indice fundamental do direito e colhi uma breve explicação do q se trata e ai está: Conjunto de vestígios deixados pelo fato criminoso. (direto) (indireto). Ou seja, é o conjunto de elementos materiais resultantes da prática de um crime. No passado, a expressão indicava tão-somente o cadáver da pessoa vitimada por homicídio, o qual devia ser exibido ao juiz, daí, talvez, o sentido etimológico do corpo de delito. Posteriormente, a expressão passou a significar toda pessoa ou coisa sobre as quais incidia um ato delituoso, até que se chegasse ao sentido moderno.

PS: Está claro que este site condena "criminosos"!

Creio q nestes termos podemos ter um debate mais centrado.

Aline, so sorry, mas eu não precisei conhecer hitler pra saber quem ele foi, assim como inumeras outras figuras historicas e não preciso realmente conhecer este menino para refletir sobre suas posições e açoes politicas. Sobre o respeito acho q escreverei outro e-mail, inclusive demonstrando como esse rapazinho denomina a Sonia Rebel em seu blog. Ser livre não eh fazer o q quer e bem entende no momento que lhe convier, se o debate sobre respeito desconsiderar isso ai sim partiremos de vez para mais e mais ameaças e violencias.

Um beijo respeitoso a todos e todas.

Martha Myrrha!

Mensagem enviada por Martha Myrrha, aluna, em 26/09/2004 - 14:50:10

*  *  *

Prezados companheiros de luta,

Encaminho por esta lista as seguintes propostas:

1) Que seja incluido como ponto de pauta de nossa proxima assembleia o "Caso Sônia" para que o conjunto dos estudantes tome conhecimento de tal fato e posso conjuntamente deliberar sobre cartas de apoio à Soninha e repudio ao que insisto em denominar de facismo! (como será colocado isso eh coisa q discutiremos, mas de antemão exponho minha posição);

2) Provavelmente terá no inicio do mes de outubro uma reunião departamental e sugiro q a representção estudantil e professores discutam o encaminhamento legitmo sobre o mesmo assunto;

3)Proponho que o caso seja de conhecimento de toda comunidade academica da uff não se restringindo somente ao curso de historia;

4) proponho, inclusive, que sejam tomadas as medidas legais cabiveis ao caso e que se necessario for que seja acionado o ministerio publico dado o teor e objetivo do site escola sem partido;

5) Proponho passagens em salas de aula a fim de demonstrar a situação em que estamos expostos;

6)Terá assembleia dos estudantes de ciencias sociais nesta semana proxima e proponho que peçamos apoio a estes estudantes no repudio ao escola sem partido, como será encaminhado, tambem, o pedido de apoio a luta contra a implementação do ensino à distancia de graduação em historia.

Sem maiores considerações, por enquanto,

Martha Myrrha Ribeiro Soares, estudante recadista, mosca de padaria, burra, cheia de ardor juvenil, insana, office-boy ideológica, sobrevivente e parte da massa protestante.

Mensagem enviada por Martha Myrrha, aluna, em 26/09/2004 - 15:55:12

 


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