Tendo estudado cerca de quinze anos no mesmo colégio particular, sou testemunha de que "o método pedagógico porno-marxista" existe e é praticado sem o menor pudor. Não escapam dele nem mesmo as escolas "católicas". Falo por experiência própria. Já fiz uma pesquisa, e não conheço ninguém da minha idade que não tenha sido submetido a essa porca pedagogia.
Para ilustrar, passo a contar algumas pérolas dos meus ex-professores (felizmente, esqueci a maior parte desse tesouro de sabedoria):
Lembro-me muito bem de um professor de História que me deu aulas durante uns três anos. No início, lembro que ele até fazia piadinhas com os ex-colegas comunistas de faculdade. O sujeito chegou até a dizer, certa vez: "O comunista é comunista só até o dia em que ele consegue comprar o primeiro carro."
O tempo passou, e, no terceiro ano do segundo grau, o professor de história estava transformado. Não sei o que houve naquele meio-tempo, mas o novo homem que nos deu aulas preparatórias para o vestibular já não era aquele capaz de fazer piadinhas com os comunistas. Não, ele agora parecia mais um militante do PSTU ou do PCdoB incitando os alunos à luta etc. etc.! Não lembro direito o que ele disse nos últimos meses de aula, mas me impressionou bastante, porque naquele tempo eu já estava crescidinho e não engolia qualquer afirmação feita pelos "mestres". Enfim, era já um novo homem o meu professor: ele havia passado por uma revolução raulseixiana. Será que o coitado tinha precisado vender o carro?
E o professor de Biologia, então? E aqui devo abrir um parêntese: Apesar de ser um grande amigo, uma pessoa com quem eu podia conversar sobre literatura e cinema (no fundo, uma boa pessoa), esse meu professor foi um dos que fizeram mais estragos na minha cabeça. Digo isso porque quero deixar claro que nada tenho contra a pessoa desse professor, mas apenas contra "o método pedagógico porno-marxista" de que ele também era adepto. Cheguei inclusive a lhe mandar uma carta amistosa, dois ou três anos depois de ter saído da escola. Mandei-lhe de presente "A Descoberta do Outro", de Gustavo Corção. A carta nunca foi respondida.
Mas, voltando ao assunto, lembro que eu tinha aulas de Biologia segundo o método "porno-marxista". Sei que é difícil imaginar uma aula sobre síntese protéica nos moldes da pedagogia suína, mas, acredite, essa aula é perfeitamente possível, e consiste em comparar o núcleo celular com um empresário malvado e poderoso, as organelas com o proletariado superexplorado etc. etc., e em fazer, de vez em quando, algumas referências mais apimentadas ao corpo humano, ao sexo etc.
Sobre esse último aspecto, aliás, lembro-me perfeitamente bem do dia em que o professor falou do pH vaginal e do iogurte, fazendo uma clara referência ao sexo oral...
Ah, e para lembrar da síndrome de Patau, causada pela trissomia do cromossomo 13, como é que ele fazia? É simples: PT-13. PT-13. PT-13. Muito simples.
Como se não bastasse, ainda tínhamos aulas de educação sexual com outros "especialistas". E aí as coisas ficavam ainda mais – como direi? – picantes. Constantemente os professores nos convidavam a nós alunos para que explorássemos os nossos corpos, sem pudor, "sem culpas". Lembro até que a professora nos ensinava como manusear o espelho nessa fantástica busca pelo conhecimento...
E eu achava tudo normal. Só depois de alguns anos é que fui entender o motivo de um colega meu, presbiteriano convicto, sentir-se tão desconfortável durante as aulas de educação sexual. Agora me vem à memória a frase de Nelson Rodrigues: "A educação sexual só devia ser dada por um veterinário." E o veterinário deveria dar aulas de quatro, acrescento.
Mas eu ainda não terminei:
A professora de literatura, no último ano da escola, soltou esta: "Onan era o deus grego da masturbação". Emprestei-lhe um livro de ensaios de Carpeux, e me pareceu que ela ficou muito impressionada e meio sem graça ao descobrir que existiam pessoas (jovens!) que liam aquilo. Um tempo depois ela me devolveu o livro, dizendo que o irmão dela, professor no mesmo colégio, gostava daquele tipo de leitura.
E, já que toquei no assunto, devo falar um pouco do irmão da minha professora de literatura, com quem também tive algumas aulas para o vestibular. Ele era um freudiano dos mais descarados, que aproveitava qualquer oportunidade para empurrar nos alunos as teorias do doutor vienense. Em qualquer poema em que se fazia referência a uma pomba ou a uma avezinha qualquer, lá estava o sábio professor para nos dizer que aquilo se tratava, na verdade, do símbolo de uma vagina etc. O distinto também ensinava que o ato de um bebê mamar com prazer nos peitos da mãe representava a satisfação sexual etc. etc. Claro, aí está uma relação de causa e efeito perfeita. Um pouco de Rudolph Allers, acho, não teria feito nenhum mal ao sábio professor.
E o caso me traz à memória um outro professor de literatura, um homem muito "ilustrado" que via no ato de uma pessoa lavar bem seu carro uma espécie de representação da masturbação (ou coisa parecida), e no ato de os padres sentarem as crianças no colo uma coisa mais sutil e profunda... E, veja bem, esse professor foi o melhor que encontrei.
E os livros que éramos obrigados a ler? Frei Betto, Betinho, Boff e cia. E o material didático, que não deixava nada a desejar para o do COC?
Ah, acabo de lembrar outra cena. Na aula de história (sempre essa matéria), ríamos das obras de arte medievais, tão desproporcionais, tão disformes... O meu professor, é claro, não leu Régine Pernoud.
Paro por aqui. Eu poderia citar alguns casos mais, acontecidos comigo, e outros tantos passados com os meus amigos e parentes, mas acho que já disse o bastante.
Enfim, a nova pedagogia está em todo lugar, tanto nas escolas públicas quanto nas particulares, e alunos dedicados mas moralmente fracos, e que desejam levar o aprendizado para a vida prática, são os mais prejudicados – mais uma vez falo por experiência própria.
Que estrago a pedagogia porno-marxista fez na minha alma! Eu era fraco e queria ser bom aluno, queria colocar as coisas em prática. E aí brigava com os meus pais etc. etc. Até hoje sinto muita vergonha das coisas que fiz naquela época, influenciado pelos amigos e principalmente pelos ensinamentos da escola.
(Hoje, se eu pudesse planejar a minha própria educação e voltar à infância, desejaria que os meus pais me tirassem da escola e me dessem, para "compensar", a coleção "Gateway to the Greatbooks" da enciclopédia Britannica, de preferência traduzida para o português.)
Em suma, a nova pedagogia nada me trouxe de bom, e nada trará de bom a ninguém. Nem mesmo a tal "consciência política" os meus professores conseguiram forjar nos alunos. O tiro saiu pela culatra, e praticamente nenhum colega meu se interessava por questões políticas. Até hoje eu não me interesso realmente pelo assunto. Quando ouço alguém falando nos "anos de chumbo" ou quando vejo integrantes de movimentos estudantis discursando na faculdade, tenho vontade de sair correndo.
Não dizem por aí que a minha geração é pouco politizada, acomodada, indiferente? Pois me parece que isso aconteceu como efeito direto da tão falada "educação para a cidadania". Falaram tanto, mas tanto de política (e na hora errada), que ninguém quer mais ouvir falar no assunto. Está aí uma hipótese a ser investigada.
Por tudo isso, caro editor, peço que o sr. não desista da luta. O site é precioso, mas talvez faltem pais realmente preocupados com o que as crianças estão aprendendo no colégio. Ou talvez eles existam e só estejam precisando conhecer o "Escola sem Partido".